terça-feira, 23 de dezembro de 2008

No início do surgimento da vida, tudo era simplório, pacífico, suave e puro. A calma na aragem era sentida por aqueles que nem sequer existiam, tal como a dor inexistente.
A Terra era uma esfera perfeita e bem limada, sem arestas cortantes, sem tornados violentos, era verde e azul vista de longe, sem esboços fúnebres.
Ouvia-se lá no longe o murmúrio do buraco negro enquanto mais ninguém sussurrava nenhuma palavra em vão.
Foi então que a voz maior teve uma ideia, uma ideia que mais ninguém podia ter, já que a voz morava sozinha onde bem entendesse permanecer. A ideia tornou-se uma obsessão, compulsão, alegria, euforia, cólera, taquicardia, ira, raiva, tristeza...
A voz então, sentiu-se sozinha, sentou-se numa grande pedra, colocou a mão sobre a alma e pensou com a sua grande voz, em voz alta: - "eu não devia estar aqui sozinha, eu devia ter alguém para me acomodar no meu sufoco de agonia". Brilhou uma luz sobre o cobertor negro onde a grande voz se aconchegava depois da excentricidade, uma luz forte, intensa, soberba, repleta de esperança... A voz ergue-se sobre a sua estrutura bípede e disse: - "nunca mais volto a estar sozinha, nunca mais volto a sentar-me nesta pedra que só me dá desgostos. eu sou alguma coisa neste espaço cheio de sentimentos, eu sou alguém!" - a grande voz caminhou até à luz, encostou a sua tez o máximo que pôde sobre aquela energia oriunda do infinito, e pensou o mais alto que conseguiu até que do espaço algo lhe acalmou aquilo que se podia chamar de coração. A voz esboçou um sorriso e gritou o mais alto possível: - "eu sou a grande voz e vou criar a vida!".
Tornados, luzes cintilantes provenientes de auroras boreais, cânticos saborosos, aromas melódicos, entre outras coisas mais, se sobrepuseram sobre a Terra e o mundo agitou! O buraco negro se calou! Enquanto tudo se concentrava numa pequena gota d'água transparente.
Ouviu-se silêncio. A gota d'água caiu...
"Na reviravolta da mistura do hidrogénio com oxigénio, com o azoto circundante que pairava na atmosfera, juntamente com a evolução dos séculos e milénios, as nossas almas encontraram-se sempre e, tantas vezes, de tantas formas, em tantos corpos, em tantas épocas, que não faz sentido nenhum separarem-se outra vez" - disse a grande voz.
Amarrou-os aos dois com uma coisa que a grande voz já conhecia de há muitos anos, mas que sozinha não podia sentir, nem tocar, nem cheirar, nem ouvir... Amarrou-os com amor e dessa vez a grande voz, que já estava farta de ficar sozinha, sem ninguém por perto, disse - "desta vez que faz com que seja assim, se não... deixo de acreditar neste cordão e desapareço para sempre".







M*

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Papel, tesoura...

Deus recortou-nos aos dois com a mesma tesoura e soprou-nos para a Terra onde nos colámos com super cola três.

Agora a minha alma é colada à tua e se tu não estás é uma desgraça porque eu sinto falta do nosso encaixe ao adormecer, falta do teu colo, do teu cheiro, do teu respirar, da tua barba a roçar-me no rosto, da tua voz a contar-me coisas banais, das tuas mãos geladas que me fazem gritar e rir ao mesmo tempo, de ti Marco.

Tens que perceber que super cola três é uma cola muito forte e que ires assim embora nos fins-de-semana dói imenso aqui dentro do meu peito, ao descolar, que é onde estamos mais colados.
Resolve tu esse problema e não descoles mais de mim... Sempre que nos descolamos eu fico com um pensamento ruim diferente. Não descoles mais.
Ama-me p'ra sempre *

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sinto-me a perder a minha essência...sinto que me tornei numa marioneta comandada por algo que me destrói a cada ordem que me é dada. Mas essa entidade que me controla, essa entidade que ostenta uma aura tão negativa e a qual não faz parte de mim vai destruindo minuciosamente cada momento de felicidade que preenche a minha vida...alias e como se me tirassem a própria vida. Tenho lutado contra isso desde que tivemos aquela conversa, mas hoje constatei que afinal essas linhas invisíveis que me controlam afinal ainda la estão, que essa presença negativa continua. Sinto.me perdido, com medo no meio desse emaranhado de linhas, mas desejando com todas as forças ver-me livre dele para que possa voltar a recuperar a minha essência, o meu amor...TU!

Vivo hoje numa encenação, encenação essa que não faz parte da minha realidade, da minha maneira de ser e às custas disso só te tenho afastado de mim...mas uma coisa eu tenho a certeza existe algo que nunca será controlado nem denegrido por esta energia negativa, e isso é o amor que sinto por ti!

Mas no Amor não existe lugar para egoísmos e preciso saber dar e receber, é preciso harmonia, confiança, sensibilidade...não basta só este sentimento dentro de mim.

Talvez o que sinta vá de encontro às tuas expectativas mas a forma como o demonstro faça com que não esteja à tua altura...mas isso é uma decisão que cabe só a ti decidir, porque não te quero triste comigo quando o que pretendo e ver-te feliz a meu lado. Luta pela tua felicidade mesmo que eu já não faça parte dela, luta porque tu mereces. Tenho medo, medo de cada acção que tenho contigo porque não te quero magoar, medo de te perder, mas se te perder para recuperares o teu bem estar, o teu equilíbrio então será justo.

sábado, 18 de outubro de 2008

Nem toda a gente tem o prazer de chegar à casa, sim, à casa e enfiar a chave na fechadura e reparar que está perra. Está perra de tanto mandar as chaves pela janela, lá para baixo, lá na outra casa, para alguém entrar...
Sabes do que eu sinto falta? De quando tentavas cativar a minha atenção a todo custo, de quando eu era o esplendor para ti e que se eu não estivesse bem, independentemente de ser tua ou não, tu não ias estar bem. Agora já não é assim. Desde que sou tua deixou de ser assim.
Eu penso em estratégias p'ra que isso volte, pra que essa magnitude que saiu lentamente de dentro de ti, volte. Volte porque eu preciso que volte, porque eu preciso de te sentir como quando eras antes, antes de me amares na nossa totalidade, antes de saberes o saber da minha boca, antes quando era platónico e muito mais puro, quando era platónico e inabalável. Quando era assim, eu tinha a certeza que ia durar para sempre.

Eu pergunto-me se já não passou tudo? e devessemos assentar um pouco, separarmo-nos um pouco, p'ra ver se aqui dentro volta aquilo que eu acho que me dava a segurança que eu tinha em outros tempos, mesmo que não fosses meu. Na verdade eras.





EU TENHO MEDO.

sábado, 27 de setembro de 2008

And you should never leave me

"Havia uma janela paralela à porta de entrada. Uma janela aos quadradinhos onde toda a claridade solar inundava aquele quarto e iluminava o teu cabelo queimado do sol. Era bom ver-te acordar já com esse sorriso preso à cara, era bom ver o reflexo do mar logo pela manhã nos teus olhos. Tudo era bom."

A janela não está paralela à porta de entrada, mas é aos quadradinhos, aliás, tem quatro quadradinhos e toda a claridade solar inunda o nosso quarto e ilumina o teu cabelo que ainda está queimado do sol.

De todas as percepções reais que tenho, das poucas que tenho, vá... Tu és a mistura da realidade e da fantasia, do presente e do futuro e, se os meus medos te assustam, imagina-me quando penso que esses medos nem sequer possam chegar a existir para te assustarem no nosso infinito. Eu perco a nossa linha de vida na minha cabeça e faço o que te faço por saber que o meu futuro racional ao teu lado deixa de existir em mim e expande-se na minha falta de crença, que não passa de um pesadelo.

Quero-te para sempre e nunca me deixes * M

"Tudo é bom."

Dois caminhos...Um destino...

De manhã aqueles raios de luz que penetram pelas frinchas da janela do quarto, e que subtilmente, me fazem abrir os olhos...nesse momento todos os sentidos começam a ficar apurados,  o silêncio da manhã e toda aquela falta de agitação visual, fazem com que a percepção de tudo aquilo que te rodeia seja mais profunda e apreciada de forma mais intensa...e à medida que avalio aquele que começou por ser o meu espaço um grande sorriso se esboça no meu rosto...o teu aroma paira suavemente no ar como se ali estivesses...olho a minha volta e mesmo à minha frente na prateleira, as tuas coisas que delicadamente preenchem aquele espaço de felicidade... e assim naquele que começou por ser o meu espaço vão surgindo vestígios das tuas passagens, das tuas permanências tornando-o assim o nosso espaço, o nosso cantinho onde secratemente partilhamos todas as emoções dos sentimentos que nos preenchem. Contigo tudo isto foi um processo natural, e que me deixa extramente feliz e desejoso de uma vida totalmente partilhada...de uma vida onde dois caminhos se cruzam, onde dois destinos se tornam um só.  L*

domingo, 17 de agosto de 2008

Lux aeterna

És tu para mim. Na busca do que quisermos para sermos o que somos até ao fim. A tua imagem não sai da minha cabeça. E se eu sou a tua heroína, tu és a minha também.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Estou aqui.

Cheguei, meu amor. E como te disse, a única coisa que queria ver depois de pousar as malas à entrada da porta eras tu enrolado nos nossos lençóis brancos imaculados pelos espectros solares que a janela deixava passar devagarinho e que esses mesmos te iluminavam na paz do mundo inteiro e que, essa visão tão simples e singela, inundasse o meu rosto de lágrimas só pela mera perspectiva de te voltar a ver ali, tão meu. Sinceramente, já nem queria saber do banho. Não queria perder a tua imagem doce de mim, de ti. Queria-te ali como és, sem te acordar... Entrava de mansinho, sem te tirar daquele embalo que já levavas há algumas horas e encostava-me a ti pra sentir o teu cheiro, com o qual sonhava todos os dias e com o qual alucinava, já que de vez em quando conseguía adormecer com ele... Sem querer, não consegui evitar abraçar-te com mais força e, entretanto, ouvi-te balbuciar qualquer coisa parecida com "meu amor, estás aqui" e sim, estou aqui. Aqui pra sempre.

domingo, 3 de agosto de 2008

Visão

Uma brisa fresca paira no ar...a areia húmida nas palmas das minhas mãos, a rebentação das ondas, aquele som que me embala naquele momento como se de um abraço teu se tratasse…olho as estrelas, a lua brilha, vejo nela o teu sorriso…tudo parece tão perfeito…aquela visão...

Pergunto-me…Onde estás? Aqui… O que és? Este momento… L*

Um dia

vamos os dois, pela estrada fora, percorrer o mundo todo sem olhar para trás. Vens comigo e eu vou contigo. Nem sei pra que frizar isto, até porque vens sempre comigo para todo lado, sabes isso não sabes? Sei que sabes, sabemos.
Uma promessa te faço, não vais sair da minha mente, da minha cabeça, do meu corpo, do meu coração. Não, não vais. Nem a entropia nos vai separar.
M*

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Intensas

sensações. E percebe-se perfeitamente a razão pela qual comecei isto com uma letra minúscula, que por sinal é um "s" que expressa o que eu "s"into por ti e que, na verdade, não foi bem assim porque afinal comecei em Intensas. Tudo parece muito complicado aqui, mas não é.
Apetece-me fazer tudo contigo. Apetece-me desgastar-me contigo no meio da noite até ao amanhecer e ir para casa de mãos dadas, descalça, com os chinelos já na mão, ao teu lado... Apetece-me usar a tua t-shirt para dormir, a tua almofada para dormir, mesmo sabendo que estás ali ao meu lado, mesmo sabendo que por vezes vou acordar e tu ainda estás a olhar para mim, sem sono... Apetece-me ter noites excêntricas, ter noites intensas que nós os dois sempre sonhámos, tu de uma maneira, eu de outra, daquelas em que já estivemos juntos mas de outro modo completamente diferente, dessas, mas connosco. Apetece-me o teu colo, a tua boca suave a percorrer a minha, as tuas palavras baixinhas que sussurras ao meu ouvido, dormir as doze horas de sono que tu tanto precisas, acordar contigo e ver o sol raiar, a paz contigo.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Presença

Os passos na rua, as vozes que se misturam, toda aquela multidão, e à medida que me aproximo começo a sentir aquela sensação de conforto, a atenção à minha volta começa a crescer subtilmente à medida que me vou revelando de forma positiva ou negativa… Começam-se a criar ligações, incompatibilidades… Fazemos sentir a nossa presença e, aos poucos, gera-se aquela utopia de uma simbiose, de uma ligação que nada é senão a única forma de darmos sentido à nossa presença. Sim, porque a nossa presença só faz sentido se existir alguém que a enalteça, que a faça emergir. É a partir dela que construímos a nossa felicidade.

Mas porquê viver a vida em torno desta simbiose? Deste sonho? Sim sonho… Porque na realidade ela nunca a chega a ser. Porque nem todos os “organismos” agem de forma vantajosa e mútua.

Hoje talvez a resposta se tenha tornado clara para mim.

Para mim esta simbiose acaba por ser o reflexo de algo que procuramos de forma inconsciente, aquele momento mágico e inesperado que nos mostra o verdadeiro valor da nossa presença. Hoje senti isso pela primeira vez. Senti-me verdadeiramente desejado, amado… Senti que existia perante todas as coisas…senti que este sonho se transformaria numa realidade. A simbiose perfeita… Mas não o foi. Não fui capaz de estar à altura da tal simbiose… Sinto que de certa forma me fizeste avançar na descoberta da minha presença, e te fiz regredir na descoberta da tua, e ao faze-lo perco-o de novo, o sentido da minha presença.






Desta vez, pelo verdadeiro Brooks, que não sou eu...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Quem me dera que fosse tão simples

Só me lembro das luzes e da luz que saía de dentro de ti, que por sinal, meu amor era demasiado intensa para os meus olhos. Nesse momento em que me conseguíste cegar eu deixei-me levar por aquele beijo pequenino e suave que me arrancaste com um toque mágico de anjo e disse-te, que tu como um anjo que és, já que até tens nome de um, não devias ter-me arrancado nada, independentemente da maneira que foi, da maneira tão preciosa que foi... O mais estranho ainda foi ter-te dito para parares e, de imediato, continuo a deixar-te arrancar-me quantos beijos podias enquanto a tua luz continuava a cegar-me e enquanto o ligeiro álcool me ajudava a ficar paralisada para ser mais fácil ainda sentir toda a tua precisão em beijar-me.
Foi assim que me desordenaste por completo cá dentro e deixaste a entropia dominar o meu ser mais uma vez, sabes que mais? Não me importei nada e sim, vamos tentar.


quarta-feira, 23 de julho de 2008

Bom dia

Havia uma janela paralela à porta de entrada. Uma janela aos quadradinhos onde toda a claridade solar inundava aquele quarto e iluminava o teu cabelo queimado do sol. Era bom ver-te acordar já com esse sorriso preso à cara, era bom ver o reflexo do mar logo pela manhã nos teus olhos. Tudo era bom.
Vestia-me às pressas enquanto tu olhavas para mim muito calmamente com a tua paz de alma de sempre. Percebi que pensaste em puxar um cigarro, mas como sabes que eu não gosto do cheiro pela manhã hesitaste e, depois de finalmente estar vestida, caí no teu colo e abracei-te com muita força. Sussurraste ao meu ouvido "bom dia meu amor".

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Faço tudo para bem do nosso bem, meu bem

Ouço o barulho da ventoinha contínuo, maciço e doce. Vejo as persianas completamente cerradas e a única coisa em que consigo pensar é em ti. Tenho uma luta dentro de mim, uma revolução da cor do fogo, que ascende até ao meu esófago e entretanto abandona o meu corpo por momentos quando volto a respirar. Tenho toneladas de pensamentos e soluções para secarem qualquer gota de amor que possa sentir por ti e tenho uma folha de papel que me diz para não te abandonar mais do que já o fiz.
A parede branca diz-me para ficar só, esquecer que o amor existe, para retirar essa limitação da minha cabeça...
Agora, luto com as toneladas de pensamentos e soluções, com a folha de papel e com a parede branca. Uma luta harmoniosa e imprescindível.