No início do surgimento da vida, tudo era simplório, pacífico, suave e puro. A calma na aragem era sentida por aqueles que nem sequer existiam, tal como a dor inexistente.
A Terra era uma esfera perfeita e bem limada, sem arestas cortantes, sem tornados violentos, era verde e azul vista de longe, sem esboços fúnebres.
Ouvia-se lá no longe o murmúrio do buraco negro enquanto mais ninguém sussurrava nenhuma palavra em vão.
Foi então que a voz maior teve uma ideia, uma ideia que mais ninguém podia ter, já que a voz morava sozinha onde bem entendesse permanecer. A ideia tornou-se uma obsessão, compulsão, alegria, euforia, cólera, taquicardia, ira, raiva, tristeza...
A voz então, sentiu-se sozinha, sentou-se numa grande pedra, colocou a mão sobre a alma e pensou com a sua grande voz, em voz alta: - "eu não devia estar aqui sozinha, eu devia ter alguém para me acomodar no meu sufoco de agonia". Brilhou uma luz sobre o cobertor negro onde a grande voz se aconchegava depois da excentricidade, uma luz forte, intensa, soberba, repleta de esperança... A voz ergue-se sobre a sua estrutura bípede e disse: - "nunca mais volto a estar sozinha, nunca mais volto a sentar-me nesta pedra que só me dá desgostos. eu sou alguma coisa neste espaço cheio de sentimentos, eu sou alguém!" - a grande voz caminhou até à luz, encostou a sua tez o máximo que pôde sobre aquela energia oriunda do infinito, e pensou o mais alto que conseguiu até que do espaço algo lhe acalmou aquilo que se podia chamar de coração. A voz esboçou um sorriso e gritou o mais alto possível: - "eu sou a grande voz e vou criar a vida!".
Tornados, luzes cintilantes provenientes de auroras boreais, cânticos saborosos, aromas melódicos, entre outras coisas mais, se sobrepuseram sobre a Terra e o mundo agitou! O buraco negro se calou! Enquanto tudo se concentrava numa pequena gota d'água transparente.
Ouviu-se silêncio. A gota d'água caiu...
"Na reviravolta da mistura do hidrogénio com oxigénio, com o azoto circundante que pairava na atmosfera, juntamente com a evolução dos séculos e milénios, as nossas almas encontraram-se sempre e, tantas vezes, de tantas formas, em tantos corpos, em tantas épocas, que não faz sentido nenhum separarem-se outra vez" - disse a grande voz.
Amarrou-os aos dois com uma coisa que a grande voz já conhecia de há muitos anos, mas que sozinha não podia sentir, nem tocar, nem cheirar, nem ouvir... Amarrou-os com amor e dessa vez a grande voz, que já estava farta de ficar sozinha, sem ninguém por perto, disse - "desta vez que faz com que seja assim, se não... deixo de acreditar neste cordão e desapareço para sempre".
M*
A Terra era uma esfera perfeita e bem limada, sem arestas cortantes, sem tornados violentos, era verde e azul vista de longe, sem esboços fúnebres.
Ouvia-se lá no longe o murmúrio do buraco negro enquanto mais ninguém sussurrava nenhuma palavra em vão.
Foi então que a voz maior teve uma ideia, uma ideia que mais ninguém podia ter, já que a voz morava sozinha onde bem entendesse permanecer. A ideia tornou-se uma obsessão, compulsão, alegria, euforia, cólera, taquicardia, ira, raiva, tristeza...
A voz então, sentiu-se sozinha, sentou-se numa grande pedra, colocou a mão sobre a alma e pensou com a sua grande voz, em voz alta: - "eu não devia estar aqui sozinha, eu devia ter alguém para me acomodar no meu sufoco de agonia". Brilhou uma luz sobre o cobertor negro onde a grande voz se aconchegava depois da excentricidade, uma luz forte, intensa, soberba, repleta de esperança... A voz ergue-se sobre a sua estrutura bípede e disse: - "nunca mais volto a estar sozinha, nunca mais volto a sentar-me nesta pedra que só me dá desgostos. eu sou alguma coisa neste espaço cheio de sentimentos, eu sou alguém!" - a grande voz caminhou até à luz, encostou a sua tez o máximo que pôde sobre aquela energia oriunda do infinito, e pensou o mais alto que conseguiu até que do espaço algo lhe acalmou aquilo que se podia chamar de coração. A voz esboçou um sorriso e gritou o mais alto possível: - "eu sou a grande voz e vou criar a vida!".
Tornados, luzes cintilantes provenientes de auroras boreais, cânticos saborosos, aromas melódicos, entre outras coisas mais, se sobrepuseram sobre a Terra e o mundo agitou! O buraco negro se calou! Enquanto tudo se concentrava numa pequena gota d'água transparente.
Ouviu-se silêncio. A gota d'água caiu...
"Na reviravolta da mistura do hidrogénio com oxigénio, com o azoto circundante que pairava na atmosfera, juntamente com a evolução dos séculos e milénios, as nossas almas encontraram-se sempre e, tantas vezes, de tantas formas, em tantos corpos, em tantas épocas, que não faz sentido nenhum separarem-se outra vez" - disse a grande voz.
Amarrou-os aos dois com uma coisa que a grande voz já conhecia de há muitos anos, mas que sozinha não podia sentir, nem tocar, nem cheirar, nem ouvir... Amarrou-os com amor e dessa vez a grande voz, que já estava farta de ficar sozinha, sem ninguém por perto, disse - "desta vez que faz com que seja assim, se não... deixo de acreditar neste cordão e desapareço para sempre".
M*