domingo, 12 de julho de 2009

I (eu)

Eu nasci em Agosto, por um equívoco. Se a minha mãe não tivesse saltado daquele banquinho de madeira, que ela subia para estender a roupa, eu não tinha sido honrada com este signo de temperamento horrível, que vou carregar até ao resto dos meus últimos dias... A verdade aparente é que, na realidade, eu nem sequer queria nascer*.
A bolha onde me criaram, sem bactérias, viroses ou até ácaros, impediu a minha imunidade de se desenvolver e eu vivi parte da minha infância num leito e em delírios provocados pela febre. Talvez, tenham sido poucas vezes em que eu padeci de doenças graves, mas pelo que lembro e pelo que me contam, até foram muitas.
Uma vez, já não sabiam o que fazer.
A empregada colocou uma mistela castanha nos meus pés (que eu achava que era caldo Knorr) e depois calçou-se com umas meias muito branquinhas, que provavelmente devem ter ido parar ao lixo depois. Dessa vez, eu conformei-me com a minha morte. Ouvia rezas lá fora, acordava com as cortinas brancas e compridas do quarto da minha mãe a esvoaçarem e percebia, de dia para dia, que ia ser o fim. O fim para mim, não vinha carregado com muita mágoa ou pena de perder algo, era uma conformação saudável e infantil, pura.

Agora, eu sou assim porque lembrei-me que a minha conformação vai ser mais severa nesta etapa da minha vida. Porque eu vou chorar muito se tiver de ser. Então, todos os dias, lembro-me disto para não ser apanhada de surpresa e, ainda por cima, imagino coisas más.

I hate that bubble...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A partir daquele trágico mês de Dezembro, deixaste de querer saber.
Eu não entendo porque é que não vês que já não me amas há muito tempo e não me deixas ser livre pra quem quiser amar (me). É pena? É vontade de querer perdoar mas sem sucesso?
Não venhas é com histórias de que "se quiseres ser livre és livre", não.
Se eu quiser ser livre de ti, eu sei bem como o fazer.
As coisas para ti, parecem-me, que têm de ser expressar num monitor para conseguires assimilar.
Eu gosto de ti, mas se continuas a agir como se eu fosse aceitar tudo, só porque eu morro de medo de perder-te, então estás errado. Sinceramente, não sei então qual é o teu objectivo. Para quê "ter-me" se nem sequer estás preocupado em estimar-me como eu te estimo. Se te atiro as coisas à cara, é para teres noção das coisas e pequenos sacrifícios que faço por ti, porque aparentemente para mim é tudo fácil.
Se "vives" e "vives" bem, como disseste no elevador, então tudo bem, ainda bem.
Eu amo-te. Se já deixaste de o fazer, dizes-me que eu vou chorar para longe de ti. Mas se achas que não é bem assim que as coisas devem ser feitas, então estima-me... Não me mandes parar de dizer que tenho saudades tuas, não me ignores no supermercado, sei lá. Eu ainda vivo aqui. No teu pequeno mundo.



Existindo a hipótese de me ir embora.. It's up to you.