Eu nasci em Agosto, por um equívoco. Se a minha mãe não tivesse saltado daquele banquinho de madeira, que ela subia para estender a roupa, eu não tinha sido honrada com este signo de temperamento horrível, que vou carregar até ao resto dos meus últimos dias... A verdade aparente é que, na realidade, eu nem sequer queria nascer*.
A bolha onde me criaram, sem bactérias, viroses ou até ácaros, impediu a minha imunidade de se desenvolver e eu vivi parte da minha infância num leito e em delírios provocados pela febre. Talvez, tenham sido poucas vezes em que eu padeci de doenças graves, mas pelo que lembro e pelo que me contam, até foram muitas.
Uma vez, já não sabiam o que fazer.
A empregada colocou uma mistela castanha nos meus pés (que eu achava que era caldo Knorr) e depois calçou-se com umas meias muito branquinhas, que provavelmente devem ter ido parar ao lixo depois. Dessa vez, eu conformei-me com a minha morte. Ouvia rezas lá fora, acordava com as cortinas brancas e compridas do quarto da minha mãe a esvoaçarem e percebia, de dia para dia, que ia ser o fim. O fim para mim, não vinha carregado com muita mágoa ou pena de perder algo, era uma conformação saudável e infantil, pura.
Agora, eu sou assim porque lembrei-me que a minha conformação vai ser mais severa nesta etapa da minha vida. Porque eu vou chorar muito se tiver de ser. Então, todos os dias, lembro-me disto para não ser apanhada de surpresa e, ainda por cima, imagino coisas más.
I hate that bubble...
A bolha onde me criaram, sem bactérias, viroses ou até ácaros, impediu a minha imunidade de se desenvolver e eu vivi parte da minha infância num leito e em delírios provocados pela febre. Talvez, tenham sido poucas vezes em que eu padeci de doenças graves, mas pelo que lembro e pelo que me contam, até foram muitas.
Uma vez, já não sabiam o que fazer.
A empregada colocou uma mistela castanha nos meus pés (que eu achava que era caldo Knorr) e depois calçou-se com umas meias muito branquinhas, que provavelmente devem ter ido parar ao lixo depois. Dessa vez, eu conformei-me com a minha morte. Ouvia rezas lá fora, acordava com as cortinas brancas e compridas do quarto da minha mãe a esvoaçarem e percebia, de dia para dia, que ia ser o fim. O fim para mim, não vinha carregado com muita mágoa ou pena de perder algo, era uma conformação saudável e infantil, pura.
Agora, eu sou assim porque lembrei-me que a minha conformação vai ser mais severa nesta etapa da minha vida. Porque eu vou chorar muito se tiver de ser. Então, todos os dias, lembro-me disto para não ser apanhada de surpresa e, ainda por cima, imagino coisas más.
I hate that bubble...